Infância perdida?
| February 22, 2009 | Posted by Marcos Arouca under Pessoal |
As vezes me pergunto se perdi totalmente minha infância, se ela foi bem aproveitada e como queria ter aproveitado mais…
Na última semana, e nas próximas, ao invés de trabalhar no Downtown, estou ficando no DC da Globo.com, no Centro, e na sexta-feira resolvemos almoçar na Parmê. O pessoal que trabalha no DC é muito legal e dentre eles, dois caras moram no Valqueire, onde vivi por mais de 20 anos.
Bom, o assunto no almoço foi super legal, porque caimos no papo de brincadeiras de criança… A maioria eu conhecia, porém nem todas tive o prazer de viver intensamente…
O fato é que meus pais sempre foram super preocupados (até demais) com as companhias que tinhamos. Uma das desculpas pode ter sido o fato do meu pai ter sido policial durante a vida toda e sempre ficar encucado com as “coisas ruins do mundo” e isso atrapalhou (e muito) minha infância.
Por eu ser um cara mais tímido, estudar longe de onde morava, entre outros fatos, eu tinha pouquíssimos amigos e brincava muito pouco na rua (e olha que morávamos em uma lugar super tranquilo).
A conversa do almoço me fez relembrar uma infância que hoje a maioria das crianças não tem, ou por pais com medo da violência ou devido ao modo como o mundo mudou…
Toda a conversa me fez pensar em como era diferente a relação entre as crianças antigamente e em como era muito bom viver no subúrbio carioca. Algumas brincadeiras como soltar pipa; peão; bolinha de gude; futebol de botão foram lembradas, “artes” que as crianças faziam como pular muro do vizinho para roubar fruta; estilingue; ficar na rua até tarde e ouvir um adulto contar histórias de arrepiar… Tudo isso era maravilhoso e enquanto eu ouvia (e contava) os fatos da época, fica pensando na infância do Matheus e toda essa história me deu mais força para pensar em sair o mais rápido possível do apartamento onde eu moro e tentar me mudar para alguma casa em Jacarepaguá, em algum condomínio bem ao estilo do que era onde eu morava no Valqueire.
Eu não quero que o Matheus tenha uma infância trancada dentro de casa… Eu quero ver ele soltando pipa; fazendo coleção de figurinhas e jogando bafo… Jogando futebol (e não sendo um pereba como é seu pai…). Enfim tendo uma infância completa.

Uma observação importante: Eu não quero que o Matheus tenha as coisas que eu não tive somente para me realizar… Não é isso. Na verdade não quero impor a ele nada, mas eu quero é dar a ele as opções que eu não tive, tudo com segurança e juízo e se ele reamente se interessar ótimo. O ideal é ele viver a vida dele sem que tenha o pai ou a mãe influenciando para que ele siga seus passos… Isso é terrível de se fazer com a criança.
Na verdade muitas coisas que hoje eu acho super legal, naquela época não me interessava… E isso só prova que nossa cabeça muda com o passar do tempo.
No fim, o que conta é poder dizer que sua infância foi bem aproveitada e ao fazer um flashback rápido… A minha até que não foi tão ruim assim.
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